Apresentação
Num mundo cada vez mais interligado, a circulação de pessoas, coisas e ideias molda de forma profunda a vida quotidiana. O nosso grupo de investigação explora como a mobilidade — e o seu reverso, a imobilidade — influenciam as formas através das quais indivíduos e comunidades criam, experienciam e imaginam lugares de pertença.
Estudamos diversas formas de movimento, desde a migração internacional e as redes transnacionais até ao turismo, à peregrinação e à mobilidade temporária. Ao mesmo tempo, prestamos atenção ao que acontece quando o movimento é restringido — por fronteiras, burocracias ou reivindicações de identidades nativas e territoriais. O nosso trabalho considera também de que modo os legados das histórias coloniais e pós-coloniais continuam a moldar os padrões contemporâneos de viagem, deslocação, assentamento e intercâmbio cultural, influenciando quem se move, porquê, como e em que condições.
Ao observar estas dinâmicas em conjunto, procuramos compreender como diferentes formas de (i)mobilidade transformam sociedades, culturas, relações e sentidos de lar e de lugar.
O nosso trabalho aborda questões de investigação centrais, tais como:
● Como é que as pessoas constroem e reconstroem lugares e identidades através do movimento e do assentamento?
● De que modos a mobilidade e a imobilidade moldam as relações sociais, as identidades colectivas e as dinâmicas de poder?
● Como é que marcadores identitários como a raça, a etnia, a classe, a nacionalidade, o género e a sexualidade influenciam — e são influenciados por — processos de circulação através de fronteiras?
● Que papéis desempenham o património, a memória e a imaginação na ligação das pessoas a diferentes lugares e tempos — próximos ou distantes?
● Como se manifestam e são experienciadas e contestadas o ódio, a xenofobia, o racismo e a exclusão em contextos transnacionais de crescente diversidade e deslocação?
A nossa investigação abrange várias regiões, com especial enfoque em Portugal e no mundo de língua portuguesa (notavelmente o Brasil), bem como na América do Norte, no Médio Oriente, em África e no Sul da Ásia.
Através da lente da construção de lugar e da pertença, procuramos contribuir para debates antropológicos mais amplos sobre as transformações sociais contemporâneas — incluindo migração, legados coloniais e pós-coloniais, património e diversidade religiosa.
Colaboramos com outras linhas temáticas e grupos de investigação do CRIA, promovendo uma compreensão aprofundada das formas como as pessoas se movem, permanecem, recordam e criam significado num mundo em que o próprio conceito de lugar está em constante redefinição e reimaginação.