Seminários CRIA 2025–2026
Os Seminários CRIA 2025–2026 constituem um ciclo anual que reúne, num calendário comum, os quatro grupos de investigação, promovendo a apresentação e discussão de investigações em curso, projetos de investigação, bem como livros e outras publicações científicas.
A iniciativa tem como objetivo reforçar a partilha de trabalho científico e promover o diálogo entre diferentes áreas de investigação, oferecendo uma visão abrangente dos temas, abordagens e metodologias que caracterizam a produção científica do CRIA. Os encontros realizam-se sempre às sextas-feiras, pelas 12h.
Sessão 2 - Até depois do fim: ancestralidades, fotografias e o tempo espiralar no entorno do Omo Ilê Agboulá.
Com Andrea D'Amato (CRIA - NOVA FCSH)
Até depois do fim
Ancestralidades, fotografia e o tempo espiralar
Uma escuta etnográfica nos terreiros de culto a Baba Egún
com Andréa D’Amato
Andréa D’Amato é doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e realiza atualmente um período sanduíche de investigação no CRIA, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES).
Nesta apresentação, ela compartilha sua pesquisa de doutoramento, intitulada Até depois do fim: ancestralidades, fotografias e o tempo espiralar no Omô Ilê Agboulá, desenvolvida a partir de uma etnografia na Ilha de Itaparica, Bahia, Brasil.
A pesquisa emerge da convivência e da escuta nos terreiros de culto a Baba Egún, mobilizando a cosmopercepção que orienta essas práticas rituais e seus modos próprios de existir no tempo, em que passado, presente e futuro não se organizam linearmente, mas em contínuos retornos, reinscrições e atualizações. Como eixo conceitual, Andréa dialoga com a noção de tempo espiralar, formulada por Leda Maria Martins, que fundamenta uma percepção de mundo pautada pela ancestralidade e presente na lógica do pensamento yorubá, atravessando e organizando a vida nos terreiros de candomblé.
Nesse percurso, a fotografia é pensada para além da representação: constitui-se como prática sensível, relacional e situada, na qual a câmera atua em interação com agentes humanos e não-humanos, presenças e ausências. As imagens produzidas e evocadas não fixam o passado, mas participam de uma temporalidade que retorna, reverbera e se atualiza, inscrevendo a ancestralidade como força viva que atravessa corpos, rituais e olhares.
Org: João Mineiro - GI Práticas e Políticas da Cultura