O Cerrado é a savana com maior biodiversidade do planeta Terra, possui uma rica sociodiversidade que se reflete em inúmeras comunidades tradicionais que possuem suas particularidades culturais e um repertório considerável de mitos, rituais e conhecimentos herdados dos ancestrais, ligados às atividades produtivas e à vida social. Esse conhecimento garante a produção, o consumo e uma forma específica de se relacionar com a natureza e com o mundo. O modo de ser tradicional é sustentável no bioma, graças às relações entre humanos e não humanos em cada território que geram diferentes identidades. Os modos de fazer, viver e criar das comunidades tradicionais e povos indígenas encontram-se ameaçados pelo avanço da devastação do Cerrado, seja pelo desmatamento ou pelo esgotamento e contaminação das águas por atividades econômicas desenvolvidas sem fiscalização adequada e com frouxo regramento no que se refere à proteção ambiental; cujo impacto provoca perda de benefícios ambientais e sociais para as populações da região e do país e compromete a identidade coletiva dos povos do Cerrado, tanto em sua base material vinculada aos seus modos de vida como em sua dimensão espiritual e cultural; em última instância, a destruição do Cerrado impacta diretamente no extermínio dos seus povos que resistem frente as políticas de morte no passado e no presente.
Nota biográfica
Professora na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília. Mestre e doutora em Antropologia Social pela Universidad Iberoamericana, México. Atualmente realiza o pós-doutorado no departamento de Antropologia Social na Universidade de Barcelona (2023-2024), Espanha. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: antropologia ambiental, ecologia humana, educação ambiental, sociobiodiversidade do cerrado, antropologia do trabalho, questões étnico-raciais.