Nos dias 16 e 17 de maio de 2025 terá lugar a 4.ª edição dos Seminários Caminhados, uma iniciativa que conjuga reflexão académica e experiência de caminhada em contacto direto com a paisagem.
O evento contará com a participação de:
Amelia Moreira-Frazão (CRIA – NOVA FCSH)
José Eduardo Reis (UTAD)
Manuel Lopes Rodrigues (Consórcio Europeu ICCA)
Maria Patrício (ESA-IPB)
Inscrições
As inscrições podem ser feitas aqui.
O valor da inscrição corresponde à participação nos dois dias e inclui:
seguro de acidentes pessoais
almoço/piquenique do dia 17 de maio
O número de participantes é limitado a 25 inscrições.
Informações práticas
Os participantes deverão trazer:
- roupa e calçado adequados à prática de caminhada
- garrafa para água (é possível recolher água nas fontes de Rio Caldo)
- O jantar do dia 16 e o alojamento são da responsabilidade dos participantes.
Enquadramento
A antropização da natureza, das paisagens, das árvores e do espaço vital tem sido um processo contínuo ao longo da história, visível em múltiplos territórios que nos rodeiam. Desde tempos recuados, essa presença humana deixa marcas persistentes — algumas evidentes, outras mais subtis — que revelam diferentes formas de apropriação, transformação e relação com o ambiente.
Ao longo da história, diversos registos documentam esse percurso, assim como as tentativas de regulação, contenção ou recuperação das paisagens transformadas. Entre iniciativas normativas e intenções declaradas, a relação humana com o meio natural tem oscilado entre apropriação afirmativa e esforços, por vezes hesitantes, de preservação. Cada marca no território constitui, assim, um testemunho das forças sociais, culturais e económicas projetadas sobre o real.
Para além de diferentes perspetivas ontológicas e ideológicas, a relação moderna entre o ser humano e a natureza tem sido frequentemente marcada por uma clivagem entre o mundo material e o desejo de transcendência. Nesta lógica, o humano afirma-se como senhor do seu jardim e possuidor da natureza, aprofundando, em muitos casos, uma visão de apropriação, dominação e exploração do ambiente.
Este regime de relação assimétrica tende a transformar o mundo natural num horizonte manipulável, conduzindo paradoxalmente a um maior afastamento do próprio humano em relação ao meio que o sustenta. Nesse processo, a natureza — e em particular as árvores — perde frequentemente a sua dimensão simbólica e sagrada, sendo reduzida a recurso ou objeto de intervenção.
Programa
O programa completo pode ser consultado aqui.