Regressos quase perfeitos: etnografia da memória de guerra em Angola (1971-1973)

Investigador responsável: Maria José Lobo Antunes
Grupo de investigação: Circulação e Produção de Lugares
Tipo de projeto: Doutoramento
Estado: Concluído
Palavras-chave: Guerra colonial | Memória de guerra | Memória social


Instituição principal: CRIA
Instituições participantes: n.a.
Financiamento: FCT
Referência: SFRH/BD/46989/2008
Data de início: 01-01-09

Mais informação:

Resumo

Entre 1961 e 1974 Portugal combateu uma guerra em África. Quarenta anos após a revolução que depôs o regime, já não existe a nação pluricontinental em nome da qual foram enviados para África mais de 800 mil homens. Esta guerra, que nunca foi oficialmente declarada, sobrevive ainda na memória daqueles que nela participaram. O objetivo desta dissertação é contribuir para a compreensão do processo através do qual a memória conta a guerra colonial no presente. Impossível que é reproduzir fielmente o momento vivido, o conhecimento do passado resulta da produção de aproximações imperfeitas daquilo que já não existe. A memória não é estanque e imutável, nem tampouco irredutivelmente individual. Ela é recriada e atualizada pelo olhar retrospectivo de agentes – individuais ou coletivos – que a cada momento conferem inteligibilidade ao passado através da negociação do modo pelo qual ele pode ser formulado. Ao combinar de uma forma singular o mundo privado da recordação pessoal e o mundo público da memória social, a memória de guerra constitui um locus privilegiado para a análise do processo pelo qual as experiências pessoais são interrogadas e inscritas em narrativas públicas mais vastas. Partindo da comissão de serviço de uma unidade do Exército português em Angola entre 1971 e 1973, construiu-se uma etnografia da memória de guerra que articula diversos lugares e momentos do tempo e que cruza as várias escalas em que memória vive. As memórias pessoais dos antigos militares desta companhia de artilharia foram confrontadas com outras narrativas sobre o mesmo fragmento da guerra colonial (o relato institucional militar, a narrativa literária de António Lobo Antunes, antigo alferes médico da unidade) e com as retóricas públicas que, durante o Estado Novo e no Portugal contemporâneo, forneceram as ideias e as palavras com as quais o país e o mundo eram pensados. Foi nesta viagem entre tempos e escalas diversas que se procurou compreender a memória de guerra, construção compósita que articula a dimensão pessoal da subjetividade individual com a dimensão social das narrativas públicas que desenham os limites no interior dos quais a guerra, o colonialismo, a nação, o passado e o presente podem ser imaginados.

Investigadores do CRIA

IDNomeFunçãoProjTítuloTipo de projetoEstado
pub79*João LealOrientador/Supervisorproj113*Regressos quase perfeitos: etnografia da memória de guerra em Angola (1971-1973)DoutoramentoConcluído
pub127*Maria José Lobo AntunesBolseiroproj113*Regressos quase perfeitos: etnografia da memória de guerra em Angola (1971-1973)DoutoramentoConcluído
Outros investigadores

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