Radio-grafia: uma etnografia da apropriação da rádio por migrantes e minorias em Portugal

Investigador responsável: Inês David
Grupo de investigação: Circulação e Produção de Lugares
Tipo de projeto: Doutoramento
Estado: Concluído
Palavras-chave: Media minoritários | “Lifestyle migration” | Rádio | Algarve | Expatriados britânicos


Instituição principal: CRIA
Instituições participantes: n.a.
Financiamento: FCT
Referência: SFRH/BD/40075/2007
Data de início: 01-02-08

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Resumo

Partindo da abordagem da Antropologia dos Media às dinâmicas de auto-representação mediatizada em contextos migratórios, esta pesquisa propõe um mapeamento de iniciativas produzidas por, para e/ou com migrantes em Portugal. Em diálogo com estudos sobre media minoritários (e.g. Kosnick, 2007; Rigoni & Saitta, 2012; Silverstone & Georgiou, 2005), este estudo exploratório sugere que, embora, no geral, estes não promovam uma reflexão nem ações dirigidas à inclusão dos migrantes em Portugal, os seus programas contribuem para processos de inserção social. Além disso, fomentam dinâmicas comunitárias, processos de reprodução cultural e a manutenção de laços transnacionais com lugares de referência. Para aprofundar tais dinâmicas, explora-se o caso da primeira estação com licença bilingue direcionada, sobretudo, para uma população britânica que se auto-define como “expatriada”, residente no Algarve. Assente numa estratégia etnográfica que consistiu em “seguir a rádio” (Marcus, 1995), a pesquisa abrange as ligações entre a estação, os eventos e os estabelecimentos comerciais anunciados nas emissões, de forma a relacionar as esferas da produção e do consumo. As principais questões de partida são: Qual o papel da rádio nos processos de gestão de identidade cultural de “expatriados”? Que especificidades abrangem? Que tipo de processos de reprodução cultural fomenta? De que maneira assiste, simultaneamente, em processos de incorporação e na manutenção de laços transnacionais? Esta tese defende que a estação cumpre funções semelhantes às de outras rádios minoritárias, embora com especificidades relacionadas com a sua população-alvo. A rádio reflete e participa em estratégias de reterritorialização assentes em modos de incorporação funcional e parcial. Ao reproduzir uma translocalidade (Appadurai, 1996), a rádio indicia e alimenta nos “expatriados” uma postura que é simbólica e materialmente ligada ao Reino Unido, assim como a outras “vizinhanças” (id.) ainda que permanecendo, simultaneamente, orientada para a apropriação do Algarve como “casa”. A veiculação de um discurso oral, repetitivo, e efémero, além de contribuir para a reificação da identidade cultural britânica, tem conduzido à reprodução de uma ligação ambivalente com o lugar, partilhada por outros “expatriados”. Tal dinâmica inter-relaciona-se com projetos migratórios inscritos em imaginários colectivos, veiculados pelos media internacionais, que incentivam a procura de um estilo de vida idealizado, que a rádio associa ao Algarve. Ao localizar e validar recorrentemente uma narrativa que projeta um ideal de “boa vida”, a rádio amplifica as dinâmicas entre migrantes que reafirmam a migração como uma escolha acertada. Contrariamente a outras estações minoritárias, esta facilita processos de transição entre categorias que ligam turistas e migrantes. Ao partir de conceptualizações sobre “lifestyle migration” (Benson & O’Reilly, 2009), produção de localidade (Appadurai 1996) e esfera pública (Butsch, 2007; Calhoun & et al, 1992; Dahlgren, 2006), esta tese contribui para pensar a rádio como uma via para a pesquisa sobre construção de pertenças, inscrevendo um contraponto no campo dos media minoritários e no debate conceptual sobre categorias e fluxos migratórios.

Investigadores do CRIA

IDNomeFunçãoProjTítuloTipo de projetoEstado
pub120*Inês DavidBolseiroproj110*Radio-grafia: uma etnografia da apropriação da rádio por migrantes e minorias em PortugalDoutoramentoConcluído
Outros investigadores

InvestigadorFunçãoInstituiçãoProjOutrosTitulo_PT
Marta Vilar RosalesOrientador/SupervisorICS-ULproj110*Radio-grafia: uma etnografia da apropriação da rádio por migrantes e minorias em Portugal