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Sector Privado Colonial: Migrações Forçadas, Vigilância Laboral e Soberania Empresarial (Teresa Furtado)

23/11/2016, 18:00

Sector Privado Colonial: Migrações Forçadas, Vigilância Laboral e Soberania Empresarial”
Teresa Furtado (IPRI-FCSH/NOVA)

23 de novembro de 2016, 18h
Sala T16, Torre B, FCSH/Nova


Resumo:

O sector privado empresarial desempenhou um papel central não só na saúde financeira do Império português como na concentração e disciplinarização das populações autóctones. Em Angola, o recurso a mecanismos de trabalho forçado por parte de algumas empresas concessionárias foi suportado por uma parceria com o Estado colonial, nomeadamente no que dizia respeito ao recrutamento destes trabalhadores e à imposição de processos de migrações forçadas dentro do território angolano. Embora existam diferenças significativas no modo como as populações trabalhadoras foram administradas pelo enredo privado, invariavelmente, nas zonas onde estas operavam, o modo de vida dos africanos ficou marcado pelo tipo de exploração a que estavam sujeitos. A delegação de serviços de bem-estar e de estratégias de conquista das mentes são parâmetros de análise fundamentais, quando colocados em perspectiva comparada, para a compreensão da atuação do sector concessionário colonial.


Nota biográfica:

TERESA FURTADO é bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia no âmbito do Doutoramento em Estudos Sobre a Globalização da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, com o projeto de investigação «Diamantes, Algodão e Café: Empresas Concessionárias e Soberania Privada na Angola Colonial».


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Integrado no seminário Marcas do Império: Colonialismo e Pós-Colonialismo na Época Contemporânea
Instituto de História Contemporânea, Centro em Rede de Investigação em Antropologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas [Organização: Maria José Lobo Antunes, CRIA-FCSH/NOVA; Mário Machaqueiro, IHC-FCSH/NOVA; Pedro Aires Oliveira, IHC-FCSH/NOVA;  Paulo Jorge Fernandes, IHC-FCSH/NOVA.


Apresentação do seminário:

Nos últimos anos tem-se assistido a um interesse crescente, no âmbito das ciências sociais em Portugal, por temáticas relacionadas com o colonialismo português e com as marcas que o mesmo deixou naquilo que designamos como pós-colonial. Áreas de investigação como a história, a antropologia e a sociologia, mas também os estudos literários e os estudos culturais, têm vindo a abordar o colonialismo e a guerra colonial nas suas mais diversas vertentes: a história política e militar do “império” e da sua preservação defensiva; a legitimação ideológica e as estratégias de representação ou de simbolização identitária do colonialismo; a construção e colaboração dos saberes científicos, particularmente da ciência antropológica, ao serviço da ordem colonial; as políticas coloniais de controlo e governança das populações; a manipulação do étnico e do religioso por essas mesmas políticas; as estratégias de resistência do colonizado e as lutas anticoloniais; as vicissitudes da inserção do sistema colonial português no quadro das relações internacionais; os impactos da experiência colonial nas trajetórias pós-coloniais da emigração e nos padrões de integração em Portugal dos imigrantes de países lusófonos. Se determinadas abordagens optam por focar aspectos específicos, como a mobilização dos aparelhos repressivos e da intelligence no combate aos movimentos nacionalistas, outras procuram desenvolver métodos comparativos de modo a inserir o colonialismo português na lógica global dos colonialismos europeus, identificando eventuais cumplicidades e a circulação de técnicas de poder entre os diferentes sistemas de dominação colonial. Muitos destes trabalhos de investigação têm vindo também a desafiar e a reconfigurar conceitos, repensando metodologias, ao mesmo tempo que questionam as próprias noções de colonialidade e pós-colonialidade.

Tendo em mente estes desenvolvimentos, o IHC e o CRIA vêm propor, com o presente seminário, um espaço de reflexão e de diálogo em torno das mais recentes linhas de investigação dedicadas ao colonialismo português. Investigadores nas áreas da História e da Antropologia apresentarão os resultados das suas pesquisas, numa óptica formativa que visa três objectivos:
– Evidenciar a atualidade, indissociavelmente científica e política, de uma abordagem do colonialismo em geral, e do português em particular;
– Ilustrar a pluralidade das formas de análise do objecto colonial;
– Mostrar a inovação conceptual e metodológica da investigação que se tem centrado na problemática colonial.

Detalhes

Data:
23/11/2016
Hora:
18:00
Categorias de Evento:
,

Organização

CRIA
IHC-FCSH/NOVA

Local

NOVA FCSH
Av. Berna
Lisboa, Portugal
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