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Encontro “A língua é de quem a fala? Política linguística enquanto instrumento de preservação das línguas minoritárias”

25/01/2018, 10:30 - 13:00

Encontro
“A língua é de quem a fala? Política linguística enquanto instrumento de preservação das línguas minoritárias”

25 de janeiro de 2018, das 10h30 às 13h
Auditório Mário Murteira, Ed. Sedas Nunes, ISCTE-IUL

Com:

Fabio SCETTI
Université Sorbonne Nouvelle (Paris III) – CLESTHIA (França)

José Pedro FERREIRA
CELGA-ILTEC, Universidade de Coimbra, Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa

Vera FERREIRA
CIDLeS – Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social, ELAR – Endangered Languages Archive, SOAS University of London 


Organização: CRIA, CIES-IUL, RedeMigra, OEM, Mestrados em Educação e Sociedade e Administração Escolar do ISCTE-IUL (Integrado no ciclo “Encontros sobre Experiências Migratórias”)

[descarregar programa com resumos e informação sobre os intervenientes]



Fabio SCETTI (fabio_scetti@yahoo.fr)
Université Sorbonne Nouvelle (Paris III) – CLESTHIA (FRANÇA)

O novo projeto VVV: Como promover o Valoc’, língua minoritária da Valtellina

Esta apresentação baseia-se num novo projeto de Lexicografia e fornece informações importantes sobre os problemas complexos de novos falantes de uma língua em perigo, falada num contexto particular de contato linguístico no norte da Lombardia – em Val Masino, um vale lateral localizado em Valtellina.

A Lombardia é uma região não autônoma na Itália e o italiano é a única língua oficial. Não há políticas que governem outros idiomas. Este novo projeto VVV (Vocabolär del Valoc ‘de la Val Mäśen) foi desenvolvido para responder a necessidade de defender um idioma que está “ameaçado” e “precisa de preservação”.

Por esse motivo, o nosso grupo de trabalho está elaborando o novo vocabulário oficial baseado na pesquisa de campo antropológico e dialectológico entre falantes de toda as idades que vivem no território. Esta abordagem metodológica adotada permitiu a observação do uso dos falantes de Valoc’ e de poder observar a transmissão desta língua de uma geração para outra. Novas gerações estão lutando contra velhos discursos sobre o Valoc’ sendo uma língua inútil.

Graças a este projeto, foi possível analisar a evolução do Valoc’ num contexto particular de Contacto de Línguas. No entanto, a influência do italiano como língua dominante na prática diária também foi analisada. A nossa contribuição traz à uma reflexão sobre como as línguas em extinção sofrem em uma sociedade onde as línguas precisam de poder, prestígio e status para sobreviver, mas onde a preservação é possível só elaborando uma norma, um padrão.

Nota biográfica

Doutor em Ciências da Linguagem, discutiu uma tese em Sociolinguística em abril 2016, sobre o tema da evolução da língua portuguesa falada na comunidade portuguesa de Montreal, no Canadá, focando no processo de erosão da língua, no seu percurso de transmissão entre gerações, e na relação entre a língua e a identidade do grupo.

É pesquisador associado ao CLESTHIA, laboratório da Université Sorbonne-Nouvelle – Paris III. Desde 2015, começou a colaborar em projetos de lexicográfia de línguas em perigo. Com Vittorio dell’Aquila trabalha para o Istitut Cultural Ladin no novo projeto de vocabulário do Ladino (VOLF), língua falada na região do Trentino-Alto-Adige, no norte da Itália. É também promotor do projeto de publicação do novo vocabulário de Valoc’, língua falada na baixa Valtellina, em Lombardia (VVV).


José Pedro FERREIRA (jpf@uc.pt)
CELGA-ILTEC, Universidade de Coimbra
Associaçon de la Lhéngua i Cultura Mirandesa

Edição de um vocabulário mirandês: oportunidade para aprofundar a Convenção Ortográfica?

A grafia do mirandês é regulada de facto pela Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa, publicada pelas autoridades locais após trabalho de um grupo de linguistas com representantes dos falantes. As opções tomadas na Convenção e as questões que levaram, pouco tempo depois, à aprovação de uma primeira adenda, traçaram em boa medida a política linguística do mirandês dos 20 anos seguintes. A língua não dispõe, no entanto, até hoje, de um vocabulário ortográfico ou de um dicionário de referência que promova a normalização e clarifique as áreas cinzentas da Convenção Ortográfica. Nesta apresentação falarei da preparação, em curso, de um vocabulário para o mirandês, abordando as possíveis implicações que o processo da sua construção e as opções tomadas na obra e podem ter para a comunidade.

Nota biográfica

José Pedro Ferreira trabalha na produção de recursos linguísticos, desenvolvendo atividade no Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada da Universidade de Coimbra. Gere o Portal da Língua Portuguesa, que alberga os recursos oficiais portugueses para a normalização da ortografia do português; mais recentemente, fez parte da equipa que organizou o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa. Tem participado na criação de recursos e em iniciativas de política linguística para o mirandês.


Vera FERREIRA (vferreira@cidles.eu)

CIDLeS – Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social
ELAR – Endnagered Languages Archive, SOAS University of London

O impacto da (não-)política linguística no caso do Minderico

 O minderico (código ISO /drc/), uma variedade linguística ibero-românica ameaçada falada na vila de Minde (concelho de Alcanena), surge nos finais do séc. XVII como um socioleto com base no português, mas, ao contrário do que acontece com a maioria dos socioletos, rapidamente se estendeu a toda a comunidade minderica, tornando-se a língua do quotidiano em Minde. Este processo implicou não só o alargamento vocabular mas acima de tudo o desenvolvimento de um sistema morfossintático próprio que afasta o minderico do português e lhe dá autonomia. Porém, nas últimas três décadas, fatores de ordem económica, social e educacional estão na base de uma alteração significativa do tecido social de Minde, alteração essa que contribuiu para uma redução drástica do número de falantes de minderico, o que teve um impacto direto na vitalidade da língua. A inexistência de uma política linguística local clara e determinada tem tido também um impacto na evolução desta língua ameaçada.

Desde 2009 que o minderico está a ser alvo de um processo de documentação e revitalização iniciado no âmbito do projeto DoBeS “Minderico – an Endangered Language in Portugal” financiado pela Fundação Volkswagen e continuado pelo CIDLeS – Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social.

Nesta comunicação, além de uma breve descrição linguística do Minderico, pretendo apresentar uma avaliação do processo de revitalização e suas implicações para a comunidade falante, bem como tecer uma reflexão acerca dos efeitos da (não-)política linguística e sobrevalorização de medidas top-down em contexto de revitalização de línguas minoritárias.

Nota biográfica

Vera Ferreira é diretora do CIDLeS – Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social e arquivista co-responsável pelo Endangered Languages Archive (ELAR), SOAS University of London. Tem desenvolvido trabalhos na área da documentação e revitalização linguísticas, com especial interesse pela investigação e documentação de línguas ameaçadas na Europa.

Detalhes

Data:
25/01/2018
Hora:
10:30 - 13:00
Categorias de Evento:
,
Etiquetas de Evento:
,

Organização

CRIA
CIES-IUL
Rede Migra
OEM
Mestrados em Educação e Sociedade e Administração Escolar do ISCTE-IUL

Local

ISCTE-IUL
Av. das Forças Armadas 376
Lisboa, 1600-077 Portugal
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