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Conhecer para Dominar, Dominar para Explorar. A ‘ocupação científica’ no colonialismo português (Rui M. Pereira)

09/11/2016, 18:00

“Conhecer para Dominar, Dominar para Explorar. A “ocupação científica” no colonialismo português”
Rui M. Pereira (IHC-FCSH/UNL)
9 de Novembro de 2016, 18h
Sala T 16, FCSH, Av. de Berna, 26 –C, Lisboa


Resumo:

O colonialismo – e a experiência portuguesa comprovou-o até à exaustão  – ergueu todo um aparato ideológico pejado de “pseudo-justificações” históricas, culturais, sociais, no qual a Ciência, nomeadamente as Ciências Sociais, e particularmente a Antropologia, parecem ter desempenhado um papel de primeiro plano. As intervenções científicas (designadas por “missões científicas”) nas colónias durante o Estado Novo foram recorrentemente convocadas para justificar ou enquadrar determinadas práticas da administração colonial, mas sem capacidade para influenciar decisivamente os rumos e as orientações da política colonial. Mais: em determinados momentos essa instância consultora parece ter sido chamada a posteriori para justificar certas decisões tomadas ou práticas realizadas, isto é, a intervenção científica serviu, igualmente, o aparato ideológico do regime colonial, municiando-o, sempre que possível, com pseudo-justicações ideológicas. Em síntese, as diversas instâncias do conhecimento serviram o propósito de dominação política e esta era determinada pelas motivações de um determinado modelo de exploração económica: conhecer para dominar, dominar para explorar.


Nota biográfica:

RUI M. PEREIRA (1957, Lisboa) é doutorado em Antropologia Social e Cultural pela Universidade Nova de Lisboa e Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da mesma Universidade e Investigador Agregado do Instituto de História Contemporânea. Tem investigado e publicado sobre a história das práticas antropológicas em contexto colonial, políticas coloniais e Antropologia da Guerra, área na qual está a iniciar um projecto de investigação sobre a guerra colonial portuguesa (1961-1974). Em paralelo também se tem dedicado à Museologia, área de que assegura a docência no Departamento de Antropologia da FCSH/UNL, e tem sido curador e comissário de exposições de arte africana.


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Integrado no seminário Marcas do Império: Colonialismo e Pós-Colonialismo na Época Contemporânea
Instituto de História Contemporânea, Centro em Rede de Investigação em Antropologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas [Organização: Maria José Lobo Antunes, CRIA-FCSH/NOVA; Mário Machaqueiro, IHC-FCSH/NOVA; Pedro Aires Oliveira, IHC-FCSH/NOVA;  Paulo Jorge Fernandes, IHC-FCSH/NOVA.


Apresentação do seminário:

Nos últimos anos tem-se assistido a um interesse crescente, no âmbito das ciências sociais em Portugal, por temáticas relacionadas com o colonialismo português e com as marcas que o mesmo deixou naquilo que designamos como pós-colonial. Áreas de investigação como a história, a antropologia e a sociologia, mas também os estudos literários e os estudos culturais, têm vindo a abordar o colonialismo e a guerra colonial nas suas mais diversas vertentes: a história política e militar do “império” e da sua preservação defensiva; a legitimação ideológica e as estratégias de representação ou de simbolização identitária do colonialismo; a construção e colaboração dos saberes científicos, particularmente da ciência antropológica, ao serviço da ordem colonial; as políticas coloniais de controlo e governança das populações; a manipulação do étnico e do religioso por essas mesmas políticas; as estratégias de resistência do colonizado e as lutas anticoloniais; as vicissitudes da inserção do sistema colonial português no quadro das relações internacionais; os impactos da experiência colonial nas trajetórias pós-coloniais da emigração e nos padrões de integração em Portugal dos imigrantes de países lusófonos. Se determinadas abordagens optam por focar aspectos específicos, como a mobilização dos aparelhos repressivos e da intelligence no combate aos movimentos nacionalistas, outras procuram desenvolver métodos comparativos de modo a inserir o colonialismo português na lógica global dos colonialismos europeus, identificando eventuais cumplicidades e a circulação de técnicas de poder entre os diferentes sistemas de dominação colonial. Muitos destes trabalhos de investigação têm vindo também a desafiar e a reconfigurar conceitos, repensando metodologias, ao mesmo tempo que questionam as próprias noções de colonialidade e pós-colonialidade.

Tendo em mente estes desenvolvimentos, o IHC e o CRIA vêm propor, com o presente seminário, um espaço de reflexão e de diálogo em torno das mais recentes linhas de investigação dedicadas ao colonialismo português. Investigadores nas áreas da História e da Antropologia apresentarão os resultados das suas pesquisas, numa óptica formativa que visa três objectivos:
– Evidenciar a atualidade, indissociavelmente científica e política, de uma abordagem do colonialismo em geral, e do português em particular;
– Ilustrar a pluralidade das formas de análise do objecto colonial;
– Mostrar a inovação conceptual e metodológica da investigação que se tem centrado na problemática colonial.

Detalhes

Data:
09/11/2016
Hora:
18:00
Categorias de Evento:
,

Organização

CRIA
IHC-FCSH/NOVA
FCSH/NOVA

Local

NOVA FCSH
Av. Berna
Lisboa, Portugal
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