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Outros Cinemas, Outros Mundos: para uma compreensão policêntrica da produção cinematográfica em contextos pós-coloniais e indígenas

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Instituições: NOVA FCSH, CRIA-NOVA FCSH

Objetivos |
O cânone do cinema foi principalmente construído a partir da produção de Hollywood e de alguns países europeus. Ao longo deste curso, pretendemos explorar cinemas com origens em geografias diversas, incidindo preferencialmente nos continentes africano e sul americano, que surgiram da vontade de descolonizar a produção cinematográfica global hegemónica. Mais concretamente, procuraremos analisar outros modos de realizar e produzir filmes e como as características culturais, políticas e estéticas específicas de contextos indígenas, colonizados ou subalternos questionam e expandem as estruturas narrativas cinematográficas convencionais.

Programa |
O curso propõe uma análise global do cinema pós-colonial e cinema indígena e o exame mais aprofundado de certos temas e contextos específicos através de alguns estudos de caso de produções guineenses, moçambicanas, angolanas e do povo indígena Mbya Guarani, no Brasil. Introduzindo o papel histórico que a prática cinematográfica assumiu nas dinâmicas assimétricas de conhecimento e poder que acompanharam e fortaleceram os grandes projectos de colonização, procuraremos compreender como outros cinemas respondem à celebre indagação colocada por Gayatri Spivak: Pode o Subalterno Falar? Para tal, bordaremos os seguintes temas: o cinema colonial português; o movimento do terceiro cinema, a partir de trabalhos que surgiram na Argélia, Cuba e Argentina; o cinema nas lutas de libertação em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau; os cinemas nacionais pós-independência; cinemas informais e alternativos (Nollywood); o cinema indígena e as suas relações com a luta pela terra, a ético-estética ameríndia, o animismo e o xamanismo. As aulas serão constituídas por apresentações expositivas, projecção de filmes e discussão com os alunos.

Aula 1: Dos Cinemas Coloniais ao Movimento do Terceiro Cinema
Aula 2: Do Cinema de Libertação ao Cinema na Rua: o caso da Guiné-Bissau.
Aula 3: Angola e Moçambique: filmes anti-coloniais e de libertação e cinema da nação
Aula 4: Cinema indígena: “talk back”, soberania e subversão visual e estéticas indígenas
Aula 5: Cinema indígena no Brasil: os filmes dos Mbya Guarani e do Vídeo nas Aldeias

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Antropologia Biológica I – Introdução à análise osteológica humana
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Instituições: NOVA FCSH, CRIA-NOVA FCSH, LABOH

Creditação para professores do Ensino Básico e Secundário
Formação geral e adequada: Professores dos Grupos 230 e 520

Objetivos |

O curso tem como objetivos essenciais:

1) noções básicas de desenvolvimento e estrutura do tecido ósseo humano;

2) introdução aos métodos para estimativa da idade à morte e sexo em material osteológico humano recuperado em contextos arqueológicos e forenses;

3) introdução aos métodos utilizados na caracterização morfológica e osteométrica de material osteológico humano, e sua utilização na estimativa de parâmetros populacionais, como a estatura e a ancestralidade;

4) discussão da importância da contextualização do material recuperado em contextos arqueológicos e forenses;

5) noções básicas de paleopatologia – sua importância no estudo da doença no passado, e em contextos forense.

Programa |

O curso encontra-se subdividido em temáticas conforme descrito nos objetivos do curso. Apresenta-se estruturado de modo a que os alunos possam articular os conceitos teóricos com a componente prática.

Com este curso pretende-se que os alunos:

(1) adquiram noções elementares da anatomia do esqueleto e ossos individuais, que estejam cientes da variabilidade humana e das suas implicações na estimativa da idade à morte, diagnose sexual e outros parâmetros utilizados neste tipo de estudo;

(2) desenvolvam sensibilidade, e capacidade crítica em relação aos pressupostos teóricos e métodos utilizados na análise de material osteológico humano.
Este curso introdutório destina-se a um público diversificado (p.e., estudantes universitários, licenciados, público em geral), não sendo necessários conhecimentos prévios de anatomia humana para a sua frequência.

Conteúdos programáticos |

Dia 1: Introdução ao estudo de material ósseo humano e à anatomia e estrutura óssea & a importância da contextualização do material osteológico recuperado em contextos arqueológicos e forenses.

Dia 2 & 3: Determinação da idade à morte e diagnose sexual.

Dia 4: Osteometria e caracterização morfológica humana.

Dia 5: Noções básicas de paleopatologia.

Metodologias e avaliação |

O curso combina aulas de carácter expositivo com uma componente prática que permitirá aos alunos explorar os temas/métodos apresentados na componente teórica das aulas. Na componente prática os alunos irão trabalhar em grupo sob supervisão dos docentes.

A avaliação irá compreender os seguintes critérios:

1. Participação nas aulas teóricas e aplicação dos conceitos apreendidos durante a componente prática (20%).
2. Elaboração de um trabalho final (80%).

Escavação de contextos funerários: métodos e práticas

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Instituições: NOVA FCSH, CRIA-NOVA FCSH, LABOH

Creditação para professores do Ensino Básico e Secundário
Formação geral e adequada: Professores dos Grupos 230, 400 e 520.

Objetivos |

O curso terá forte ênfase em Antropologia e Arqueologia Funerária e Arqueotanatologia. Serão discutidos vários protocolos de registo de informação em campo, os métodos utilizados na estimativa do perfil biológico de material ósseo, e características individualizantes dos esqueletos/elementos ósseos; e abordados temas tais como a tafonomia, a estratigrafia, e outras metodologias utilizadas em campo/escavação. Espera-se que os alunos sejam capazes de caracterizar os vários tipos de espaço funerário e de identificar os vários cenários de enterramentos (individuais e múltiplos) e identificar as várias peças ósseas do esqueleto humano e outras características que permitem a identificação e descrição do espólio recuperado e da forma de deposição.

Programa |

O programa irá incidir sobre os seguintes temas gerais distribuídos nos pelos vários dias de lecionação:

1) Fundamentos básicos para estudos com material osteológico (humano e não humano) e noções básicas de anatomia (enfase em anatomia óssea) e osteologia humana: a morfologia e osteometria.

2) A estimativa da Idade à morte, diagnose sexual e parâmetros osteométricos.

3) Abordagem a conceitos inerentes a temas como: variabilidade funerária; tipología dos espaços funerários e práticas e rituais em termos cronoculturais. Apresentação de casos.

4) Introdução à Antropologia e Arqueologia Funerária: os diversos tipos de espaço funerário; práticas e rituais numa perspectiva cronocultural, a tipología das sepulturas e dos enterramentos.

5) Introdução à Arqueotanatologia e tafonomia

Metodologias e avaliação:

O curso incidirá essencialmente em aulas de carácter expositivo, estando prevista uma componente prática que permitirá aos alunos explorar alguns dos métodos apresentados em aula. Na componente prática os alunos irão trabalhar em grupo sob supervisão dos docentes.

A avaliação irá compreender os seguintes critérios:

1. Participação nas aulas e aplicação de conceitos (30%).

2. Elaboração de um trabalho final (70%).

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A Fundação Freudiana da Psicanálise como Teoria Geral da Acção Humana

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Instituições: NOVA FCSH, CRIA-NOVA FCSH

Objetivos | Apresentar a teorização freudiana que, epistemologicamente, emerge como uma disciplina de tipo novo, transversal e integrativa, propondo uma teoria geral da ação humana criativa, existencialmente dramática e politicamente problemática – uma teoria da articulação da organização variável da mente com a organização variável do mundo.
A redução da psicanálise à biologia e à clínica, bem como ao psicologismo das funções mentais e dos processos de aprendizagem, foi sempre denunciada por Freud.
O freudo-marxismo, a antropologia psicanalítica, a análise dos processos identitários e das produções imaginárias, bem como a neuropsicanálise, enfrentaram escotomizações e interditos e trouxeram a teorização freudiana para o século XXI.

Programa |

1) A QUESTÃO QUE ANTECEDE TODAS AS OUTRAS – a psicanálise investiga e teoriza fenómenos funcionais de reversibilidade, interacção, diversificação, criação de realidades psíquicas e culturais,  substituição, simbolização, disfarce, polissemia e interpretação, irredutíveis ao reducionismo à biologia, à consciência e à filosofia, constituindo-se como ponto de partida de pesquisas capazes de ultrapassarem o ignoramibus e o desejo de não-saber, alimentados pelo estilhaçamento disciplinar.

2) OS LABORATÓRIOS DA PSICANÁLISE – entre outros, hipnose, afasias, clínica, estratificação libidinal, sonhos, parapraxias, chistes, criação artística e literária, parentesco, mitos e rituais, comportamento grupal, processos identitários, instituições, ilusões, ideologias e mal-estar na civilização.

3) A DIMENSÃO SIMBÓLICA DA MENTE – fundada na associação neuronal generalizada, pluraliza as  linguagens, cria constelações psíquicas e simbolizações libidinais em grande parte inconscientes, subjetiviza transferencialmente a realidade material e social, constituindo-se como a condição de possibilidade da narratividade e da criatividade cultural, estruturando noosferas e mundos políticos.

4) AQUÉM DAS REPRESENTAÇÕES, ATUAM O PRAZER E O DESPRAZER NA RELAÇÃO DE OBJETO – da necessidade e do desamparo psíquico à clivagem da representação do objeto, à defesa psíquica, à comunicação manipulativa, às angústia da perda do objeto e de castração, à busca do prazer, da segurança, da realização egóica e da felicidade, subjazendo às clivagens bom-mau (fonte da moral), grupo atual-antepassado invisível (fonte da religião) e parte-todo (fonte da realização disfarçada de desejos recalcados).

5) A VIDA HUMANA ASSENTA NUM SISTEMA DE TRANSFORMAÇÕES – uma vez que a mente é processual e
ontogeneticamente estruturada, os estratos pré-genitais constituem o núcleo transcultural do inconsciente, da diversidade cultural, bem como dos processos imaginários, viabilizando as dinâmicas de regressão, de idealização e de projeção ideológica sobre as quais se ergue o processo civilizacional, dramático e problemático.

6) CORPOS DIFERENTES, TENSÕES ASSIMÉTRICAS – assimetrias identitárias de género, intergeracionais e inter-étnicas, constituem a fundação da guerra dos sexos, da dominação viril e de classe, dos rituais, da organização política patriarcal, da guerra apropriativa de recursos humanos e materiais, bem como do mal-estar na civilização, enquanto sintoma do fracasso da razão.

7) ENTRE A AÇÃO, A ILUSÃO E O DISFARCE, A NARRATIVA NARCÍSICA – “Eles amam seus delírios como se amam a si próprios. É esse o segredo”. Da repressão inter-geracional e de género à realização disfarçada de desejos recalcados e à projeção cultural e política. A descoberta tardia do terceiro tipo humano (o ‘homem narcísico’), abre caminho à investigação científica da sociopatia, aglomerando megalomania e divinização acrítica de livros, ideologias, líderes e organizações.

Summer School Religion in Public Spaces

Institutions: CRIA, NAR, ISCTE-IUL, University of Groningen (NL)

Objectives | This Summer School will introduce students to the ways religious pluralism can be studied ethnographically. Training of observation, reporting and writing ethnographically are all part of the program in preparation for carrying out fieldwork in Fátima, a major site of pilgrimage. Various guest lecturers will give insights from recent research on religious diversity in Southern Europe and on Religion in Public Spaces.

Following the successful summer school in 2017, the Seventh International Summer school is jointly organized by the CRIA-Lisbon University Institute and the Honours College of Groningen University.

The Summer Course is taught mainly through seminars and will include a fieldtrip. The seminars will be taught by academics with a strong international profile that have both empirical and theoretical expertise on their subjects. The seminars provide a space for in depth, participatory debate on the ethnographic research that the students have gotten to know through their readings and through the presentations of the seminar teachers. The readings will be distributed beforehand to prepare in advance for the seminars, enabling students to comply with the assessment requirements. Furthermore, students will have the chance to engage with the study of religion in public spaces through a fieldtrip to the famous pilgrimage place of Fátima, supervised by Anna Fedele, a specialist on pilgrimage who is currently carrying out her research in Fátima.

The course will be taught in English

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Workshop em desenho etnográfico

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Instituições: NOVA FCSH, CRIA-NOVA FCSH

Creditação para professores do Ensino Básico e Secundário
Formação geral e adequada: Professores dos Grupos 200, 240, 400 e 600.

Objetivos | A 3ª edição do Workshop em Desenho Etnográfico visa explorar as potencialidades do desenho para a realização de uma antropologia gráfica – “anthropography” (Ingold 2011).

Os objetivos principais deste curso são:

  1. Enquadrar, com recurso a exemplos de trabalhos realizados, a utilização do desenho na história da Antropologia, nomeadamente a sua dupla utilização para registo de dados etnográficos e/ou para difundir conhecimento antropológico;
  2. Entender as capacidades heurísticas do desenho em contextos etnográficos, através da exploração de soluções gráficas de observação e descrição em diferentes contextos de análise.

Programa | Este workshop teórico-prático visa ensaiar cruzamentos possíveis entre desenho e antropologia, enquanto disciplinas do olhar.

Na história dos métodos do pensamento etnográfico, o desenho ocupou um lugar variável e intermitente. Nos últimos anos, porém, voltou a assumiu um certo destaque (Afonso 2004; Kuschnir, 2011; Cabau, 2016; Cabau; Almeida; Mapril, 2017). Este workshop enquadra-se neste regresso ao desenho, entendendo-o como uma ferramenta vocacionada para a observação do real. Apesar deste movimento de retorno, atualmente o desenho etnográfico é praticamente inexistente dos currículos de estudos antropológicos (uma inspiradora exceção encontramos em Kuschnir 2014) e, talvez por isso, não está formalizado em termos estilo, metodológicos ou expositivos (Azevedo 2016). Enquanto no passado o desenho utilizado na pesquisa etnográfica parecia seguir certas tendências representacionais – como o desenho anatómico e o de cultura material, retirados de outras disciplinas como a botânica ou a arqueologia – a atual não normatização pode ser libertadora (Cabau 2016). Uma vez que não estão convencionados métodos para desenhar em antropologia, o método ideal poderá ser “o não método”, uma “prática intensiva sem outra fixação que não aquela que cada assunto exige” (idem 2016: 36-37).

Com este fio condutor, serão proporcionados espaços de reflexão teórico-prática através de um processo de “thinking through making” (Ingold 2011). Além dos métodos de observação e representação referidos para investigar a cultura material e elementos orgânicos, pretendemos explorar técnicas de registo gráfico de coisas, pessoas e outros seres vivos, bem como das relações que estes estabelecem entre si. Para tal, realizaremos exercícios de observação em três contextos distintos.

Sessão 1: O que foi e o que pode ser o desenho etnográfico?

Apresentação dos cruzamentos entre desenho e antropologia na história da disciplina; O registo de dados brutos do terreno / uma forma de comunicação de resultados.

Exercícios introdutórios de treino do olhar e desnaturalização de elementos do quotidiano.

Sessão 2: desenhar in loco – Cultura Material

Desenho e cultura material: das tendências representacionais arqueológicas aos “materiais contra a materialidade” (Ingold 2007).

Exercícios práticos de observação/representação: “Follow the lines”. Estudo de caso num espaço museológico em Lisboa.

Sessão 3: desenhar in loco – Ambiente

Desenho de elementos naturais: breve enquadramento com exemplos ilustrativos

Exercícios práticos de observação/representação: Perspetivas e Perspetivismos. Estudo de caso num jardim botânico em Lisboa.

Sessão 4: desenhar in loco – Relações entre coisas, pessoas e outros seres vivos.

Desenho em contextos urbanos: breve enquadramento com exemplos ilustrativos

Exercícios práticos de observação/representação: “Quadro”, “Rede” e os espaços entre as coisas. Estudo de caso no Jardim da Estrela.

Sessão 5: compilação e apresentação de resultados; exposição e reflexões finais

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Comida e Cultura: práticas, rituais e consumos. Uma perspectiva antropológica

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Instituições: NOVA FCSH, CRIA-NOVA FCSH

Creditação para professores do Ensino Básico e Secundário
Formação geral: Professores dos grupos 100, 110, 200, 300, 400, 420.

Objetivos |

  • Introdução aos objetos de estudo e às metodologias da Antropologia da Alimentação;
  • Breve história do estudo das questões alimentares pela Antropologia, principais temas e autores;
  • Identificação de alguns temas centrais da Antropologia da Alimentação: identidade, pertença, memória, ritual e performance;
  • Introdução aos espaços e práticas da alimentação: o público e o privado, o local e o global;
  • A relevância da prática etnográfica para a Antropologia da Alimentação.

Programa | 

A alimentação tem sido um tema abordado pela Antropologia desde os primórdios da disciplina. Nas últimas décadas multiplicaram-se os estudos antropológicos sobre alimentação, nomeadamente de cariz etnográfico, explorando temas tão diversos como género, identidades, migrações, usos do passado, memória, património, turismo, classes, nação e globalização, contribuindo para a afirmação deste campo de estudos. A diversidade deste corpus vem confirmar que os consumos e as práticas alimentares são válidos e preciosos objectos de estudo para a Antropologia e constituem, acima de tudo, boas lentes de observação da realidade. O curso “Comida e Cultura: práticas, rituais e consumos. Uma perspectiva antropológica” apresentado à Escola de Verão 2018 da NOVA FCSH propõe-se fazer um levantamento destas questões e enquadrá-las teoricamente à luz da Antropologia da Alimentação.

Sessão 1: Objetos de estudo e metodologias da Antropologia da Alimentação. A alimentação na História da Antropologia: principais autores e temas. (Joana Lucas)

Sessão 2: Tabus e interditos alimentares. O ritual, a religião e a alimentação. Identidade e diferença: género, classe e nação. (Joana Lucas)

Sessão 3: Estudo de caso I – “Re-criar a casa: práticas alimentares cabo-verdianas em contexto migrante” (Tiago Oliveira)

Sessão 4:  Estudo de caso II – Memórias doces: explorando sentidos, corpo e afetos no domínio da doçaria em Portugal. (Inês Mestre)

Sessão 5: Estudo de caso III – Alimentação, património e turismo: a “Dieta Mediterrânica” em Tavira (Portugal) e Chefchaouen (Marrocos). (Joana Lucas)

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A etnoficção enquanto método de realização audiovisual – teoria e prática

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Instituições: CRIA, Laboratório Audiovisual – polo CRIA-IUL, ISCTE-IUL

Público-alvo |

Graduandos, pós-graduandos e profissionais em antropologia, ciências sociais, cinema, comunicação e interessados em geral.

Objetivos |

A etnoficção é um método de filmagem etnográfica, que foi desenvolvido por Jean Rouch no final da década de 1950. Nele, a fronteira entre ficção e documentário é fluida. A etnoficção privilegia o uso de “não” atores, filmagens no exterior, a improvisação tanto dos atores quando de filmagem, a pesquisa de campo e a colaboração dos sujeitos filmados, pois os personagens são inspirados em suas próprias vidas, assim as histórias dos atores sociais se misturam às histórias de seus personagens.

A etnoficção não é uma prática que se restringe à antropologia. Alguns cineastas, como o curdo Bahman Ghobadi e o português Pedro Costa, acabam por incorporar elementos da etnoficção em seus métodos de forma inconsciente.

Este curso tem o objetivo de discutir o que é a etnoficção, apresentar todas as etapas do processo, assim como capacitar os alunos a criarem seus próprios filmes etnoficcionais.
Realização de um curta-metragem por grupo de 4 a 5 estudantes.

Programa |

Sessão 1: Aula expositiva e exibição de trechos de entrevistas com os cineastas
Sessão 2: Exibição de making-ofs
Sessão 3: Saída de campo: filmagem dos projetos dos alunos com acompanhamento dos professores
Sessão 4: Saída de campo: filmagem dos projetos dos alunos com acompanhamento dos professores
Sessão 5: Edição dos projetos dos alunos com acompanhamento dos professores
Sessão 6: Edição dos projetos dos alunos com acompanhamento dos professores
Sessão Extra: Exibição das curtas-metragens com comentários e discussão

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Sintaxe Espacial

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Instituições: CRIA, ISCTE-IUL

Público-alvo | O workshop destina-se a profissionais e investigadores de várias áreas disciplinares (Arquitetura, Urbanismo, Geografia, História, Sociologia, Antropologia e outras áreas afins), que procurem realizar análise espacial com ferramentas analíticas inovadoras com potencial vantagem para a investigação e para a prática do planeamento físico.

Objetivos | O workshop aborda a teoria Sintaxe Espacial, tanto como conceito, como ferramenta para pensar a relação entre espaço e sociedade, através do Software DepthmapX e tendo por base situações reais do habitat humano (edifícios e espaços urbanos). A realização do workshop no âmbito do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia) tem como objetivo promover o interesse académico e prático pelo ambiente físico enquanto agente de produção social e de culturas espaciais.
De que modo a forma espacial está relacionada com a performance social dum lugar? Em que medida as atividades e os comportamentos humanos são consequências espaciais? Existe alguma forma de explicar e prever o modo como determinada configuração espacial pode ser vivida e experienciada?
A  Sintaxe Espacial ou Lógica Social do Espaço surgiu na UCL a partir dos anos 70 e visa explorar as relações entre o espaço e a sociedade. Trata-se de um conjunto de conceitos, técnicas e ferramentas que nos permitem elaborar análises espaciais sobre a usabilidade do espaço duma forma analítica e preditiva. A investigação empírica tem demonstrado que as medidas sintáticas apresentam uma boa correlação com os dados reais do movimento e co-presença de pessoas, e consequentemente, com as atividades que se desenvolvem em cada espaço – lugar. Neste contexto, têm sido avaliados fluxos e deslocamentos, interação, comunidades, distribuição económica, produtividade associada ao espaço de trabalho, comportamento dos consumidores, sinalização, zonas de criminalidade, aplicações arqueológicas, etc.
Os conteúdos do workshop abrangem as técnicas de análise espacial básicas, passando pelas técnicas de observação e modelação de dados até ao modelo mais avançado, baseado na simulação de agentes.

Programa |

  1. O que é a Sintaxe Espacial?
  2. Análise Convexa e Axial
  3. Análise de Isovistas e Grafos de Visibilidade
  4. Análise de Segmentos
  5. Análise de Agentes
  6. Técnicas de Observação e Mapeamento
  7. Análise de dados

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Populações sul-asiáticas em Portugal: instituições e integração

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Instituições: CRIA, ISCTE-IUL

Público-alvo | Este programa dirige-se a profissionais das áreas da saúde, da educação, técnicos administrativos, a profissionais ligados à esfera das migrações, e estudantes do ensino superior.

Objetivos | Apesar de um grande número de comunidades de origem asiática em Portugal possuir uma longa ligação com os contextos sociais e culturais portuguesas, em virtude dos seus contactos históricos longos entre ambos, uma fração desta população revela dificuldades de integração na sociedade portuguesa, particularmente ao nível do contacto com as instituições.
Este curso pretende aprofundar o conhecimento acerca destas comunidades junto de profissionais que contactam diariamente com elas, no sentido de promover a sua integração e facilitar possíveis bloqueios que a falta de tradução, não só linguística, mas também cultural possa gerar.
Neste sentido, pretende-se que o curso permita também identificar problemas e procurar as respetivas soluções para que estas possam ser integradas nos planos de mediação intercultural, apresentando a assim um trabalho de articulação entre a produção de conhecimento académico e políticas públicas.

Objetivos:

  • Apresentar as diferentes comunidades sul asiáticas presentes em Portugal, com ênfase na sua diversidade geográfica, cultural, religiosa social;
  • Promover a disseminação do conhecimento académico sobre estas populações entre as instituições e os profissionais que lidam diretamente com elas,
  • Identificar problemas que impeçam a integração destas populações, de forma que possam ser tidos em conta pelos mediadores interculturais;
  • Promover a integração institucional das populações sul-asiáticas em Portugal.

Programa | O presente curso pretende, por um lado, contextualizar as especificidades culturais dos vários grupos que compõem as populações sul-asiáticas em Portugal, e por outro, identificar os principais obstáculos à sua integração, colocando o conhecimento académico ao serviço das políticas públicas. Assim, ao longo das cinco sessões, vários temas serão explorados, de acordo com esta articulação, por docentes especialistas em migrações, provenientes de diferentes áreas: antropologia, psicologia social e enfermagem.

Sessão 1: As populações sul asiáticas em Portugal: trajetos migratórios e diversidade cultural (Inês Lourenço)
Sessão 2: Habitação, redes informais e integração institucional: o caso dos Hindus-Gujaratis (Rita Ávila Cachado)
Sessão 3: Islão, cidadania e subjetividades: o caso da migração do Bangladesh em Lisboa (José Mapril)
Sessão 4: Comunidades islâmicas sul-asiáticas: padrões de género e transformações geracionais (Faranaz Keshavjee)
Sessão 5: Saúde, práticas e crenças : a medicina oriental e a medicina convencional em contexto de migração (Ivete Monteiro)

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Primatologia e Conservação

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Instituições: NOVA FCSH, CRIA-NOVA FCSH, LABOH

Objetivos | Este curso tem como principal objetivo dar a conhecer aos participantes as características biológicas dos primatas não-humanos que os tornam espécies tão emblemáticas mas ao mesmo tempo tão vulneráveis à extinção. Serão abordados os factores que mais contribuem para o acentuado declínio destas espécies, assim como explorados os diversos papéis que as comunidades humanas locais desempenham na sua conservação. Pretende-se demonstrar a necessidade de aplicar uma abordagem multidisciplinar à conservação de populações naturais de primatas, de forma a assegurar a sua viabilidade a longo prazo.

Programa | Evolução, diversidade e socio-ecologia dos primatas não-humanos; Alterações ambientais e ameaças à sua sobrevivência; Tipos e natureza das interações entre primatas não-humanos e humanos; Genética aplicada à conservação de primatas; Estratégias de conservação; Metodologias interdisciplinares de investigação em Primatologia.

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Emigração e remigração: novas formas de mobilidade em Portugal

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Instituições: NOVA FCSH, CRIA-NOVA FCSH

Creditação para professores do Ensino Básico e Secundário
A aguardar.

Objetivos | Este curso de verão se inscreve na área disciplinar da Antropologia, tendo como objetivo oferecer um quadro das recentes mudanças nas formas de mobilidade de e para Portugal, com uma atenção específica aos temas do trabalho, da cidadania, da identidade e dos imaginários do futuro. Especialmente, o objetivo é proporcionar uma ilustração e uma compreensão dos novos caminhos da emigração e da remigração através de uma perspectiva centrada nos sujeitos, nas comunidades e nas redes sociais. Nomeadamente, o trabalho de seminário incidirá sobre os resultados de estudos de caso de comunidades de nacionalidade portuguesa em determinados países (Reino Unido, Moçambique, Angola, entre outros). Esta abordagem permitirá conectar os processos políticos e históricos em curso com as estratégias e as aspirações perseguidas pelas pessoas e pelas famílias.

Programa |

  • Sessão 1 (2h) – Introdução, apresentação dos objectivos, quadro teórico, bibliografia;
  • Sessão 2 (2h) – Transnacionalismo, diáspora, circulação: categorias antropológicas no estudo dos processos migratórios;
  • Sessão 3 (1:30h) – Caso de estudo 1: a remigração guineense para o Reino Unido;
  • Sessão 4 (1:30h) – Caso de estudo 2: a remigração hindu entre a África de Leste e a Europa;
  • Sessão 5 (1:30h) – Caso de estudo 3: os Portugueses Ismailis em Angola;
  • Sessão 6 (1:30h) – Caso de estudo 4: os enfermeiros portugueses no estrangeiro;
  • Sessão 7 (1:30h) – Caso de estudo 5: os Portugueses-Bangladeshis em Londres;
  • Sessão 7 (2h) – Casa, regresso e identidade: estudar a emigração portuguesa no país de origem;
  • Sessão 8 (1:30h) – Debate final.

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World: An Anthropological Examination

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Organização: CRIA/ISCTE-IUL, ICS-ULisboa, GI Identidades, Culturas, Vulnerabilidades, U. Kent
Apoio: Doutoramento em Antropologia do ISCTE-IUL,  Doutoramento em Antropologia da ULisboa

O autor (João de Pina-Cabral) apresenta em quatro sessões as problemáticas centrais do livro World: An Anthropological Examination, debatendo alguns dos temas mais polémicos da teoria etnográfica actual.
Livro disponíivel em Open Access: https://haubooks.org/world

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Curso de Verão: Medo, Sofrimento e Cura

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Instituições: NOVA FCSH, CRIA/NOVA FCSH

Objetivos | O curso pretende dar a conhecer o panorama das abordagens antropológicas que se situam na interseção entre a antropologia da religião, antropologia médica e terapias alternativas e a antropologia da morte.

Nas cinco sessões de quatro horas cada dar-se-á a conhecer o modo como as diversas sociedades humanas procuram soluções para o medo, o sofrimento e a morte, mostrando como diferentes facetas religiosas  (oriundas de contextos etnográficos diversos)  se aliam a terapias alternativas múltiplas para tentarem encontrar soluções para as situações de crise (life-crisis situations) , e a maneira como elas lidam com a morte, que acontece quando essas múltiplas tentativas de ultrapassar as crises falham.

Serão abordados tópicos relacionados diretamente com a delimitação do campo prático dos cultos religiosos e mágicos (xamanismo, feitiçaria, transe e adivinhação); a etnomedicina (cultos terapêuticos e usos religiosos de drogas); e a conceptualização e relação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos (morte, espíritos e culto dos antepassados).

Serão utilizados exemplos que cobrem a diversidade dos contextos etnográficos (Brasil, África, Europa, Ásia), reservando-se a parte final para a questão das dinâmicas religiosas e terapêuticas no mundo de hoje, em que serão discutidas as temáticas das migrações, novas religiões e transnacionalização de cultos e curas.

Programa |

  1. Sofrimento e medo:

1.2. Do sofrimento à cura: religião e terapias num mundo globalizado;
2.2  A relação entre sofrimento e religião: os exemplos dos kimbanguistas e tokoistas.

  1. Cura e religião:

2.1. Diferentes religiões e diferentes curas;
2.2. A noção de “eficácia simbólica”;
2.3. A cura pelas águas;
2.3. o caso das religiões africanas e afro-brasileiras em Portugal.

  1. Sofrimento e morte:

3.1. Conceções da morte e rituais funerários;
3.2. Case studies: EUA, Portugal e Guiné-Bissau.