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Uma escravidão sem fim? Equívocos e lacunas na história do trabalho na África colonizada (século XX): o caso de Angola (Maria da Conceição Neto)

24/02/2017, 16:00 - 18:00

“Uma escravidão sem fim? Equívocos e lacunas na história do trabalho na África colonizada (século XX): o caso de Angola”
Maria da Conceição Neto (Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, Luanda)

24 de fevereiro de 2017, 16h-18h
Sala 0.06, FCSH/NOVA


Resumo

Com o foco no caso de Angola, procura-se debater a história do trabalho em África, nomeadamente sob o domínio colonial. Apesar de casos pontuais, a riqueza de fontes disponíveis nos arquivos portugueses e das antigas colónias não tem gerado uma produção historiográfica correspondente. E quando ela existe, não são poucos os problemas metodológicos e conceptuais que se levantam. O estudo da legislação e do discurso colonial está longe de produzir conhecimento sobre a situação real do trabalho dos colonizados de que dependia, afinal, a sobrevivência dos impérios coloniais. Também é problemático o uso de categorias genéricas (“escravo”, “trabalhador”) para diferentes espaços, épocas e contextos culturais. Acrescente-se que a inegável importância, violência e persistência do trabalho forçado, durante quase todo o período colonial, tem feito esquecer que a maior parte da força de trabalho que produzia e transportava os bens de consumo interno e de exportação, no caso de Angola, era constituída por camponeses e outros trabalhadores “livres”. A própria noção de “trabalho” é inseparável da sua contextualização política e cultural. A investigação destas questões apela, portanto, a investigações multidisciplinares e transdisciplinares, assim como à diversificação de temas e abordagens.



Integrado no seminário Marcas do Império: Colonialismo e Pós-Colonialismo na Época Contemporânea
Instituto de História Contemporânea, Centro em Rede de Investigação em Antropologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas [Organização: Maria José Lobo Antunes, CRIA-FCSH/NOVA; Mário Machaqueiro, IHC-FCSH/NOVA; Pedro Aires Oliveira, IHC-FCSH/NOVA;  Paulo Jorge Fernandes, IHC-FCSH/NOVA.


Apresentação do seminário:

Nos últimos anos tem-se assistido a um interesse crescente, no âmbito das ciências sociais em Portugal, por temáticas relacionadas com o colonialismo português e com as marcas que o mesmo deixou naquilo que designamos como pós-colonial. Áreas de investigação como a história, a antropologia e a sociologia, mas também os estudos literários e os estudos culturais, têm vindo a abordar o colonialismo e a guerra colonial nas suas mais diversas vertentes: a história política e militar do “império” e da sua preservação defensiva; a legitimação ideológica e as estratégias de representação ou de simbolização identitária do colonialismo; a construção e colaboração dos saberes científicos, particularmente da ciência antropológica, ao serviço da ordem colonial; as políticas coloniais de controlo e governança das populações; a manipulação do étnico e do religioso por essas mesmas políticas; as estratégias de resistência do colonizado e as lutas anticoloniais; as vicissitudes da inserção do sistema colonial português no quadro das relações internacionais; os impactos da experiência colonial nas trajetórias pós-coloniais da emigração e nos padrões de integração em Portugal dos imigrantes de países lusófonos. Se determinadas abordagens optam por focar aspectos específicos, como a mobilização dos aparelhos repressivos e da intelligence no combate aos movimentos nacionalistas, outras procuram desenvolver métodos comparativos de modo a inserir o colonialismo português na lógica global dos colonialismos europeus, identificando eventuais cumplicidades e a circulação de técnicas de poder entre os diferentes sistemas de dominação colonial. Muitos destes trabalhos de investigação têm vindo também a desafiar e a reconfigurar conceitos, repensando metodologias, ao mesmo tempo que questionam as próprias noções de colonialidade e pós-colonialidade.

Tendo em mente estes desenvolvimentos, o IHC e o CRIA vêm propor, com o presente seminário, um espaço de reflexão e de diálogo em torno das mais recentes linhas de investigação dedicadas ao colonialismo português. Investigadores nas áreas da História e da Antropologia apresentarão os resultados das suas pesquisas, numa óptica formativa que visa três objectivos:
– Evidenciar a atualidade, indissociavelmente científica e política, de uma abordagem do colonialismo em geral, e do português em particular;
– Ilustrar a pluralidade das formas de análise do objecto colonial;
– Mostrar a inovação conceptual e metodológica da investigação que se tem centrado na problemática colonial.

Details

Date:
24/02/2017
Time:
16:00 - 18:00
Event Categories:
,

Organizers

CRIA
IHC-FCSH/NOVA

Venue

NOVA FCSH
Av. Berna
Lisboa, Portugal
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