Desafios Ambientais, Sustentabilidade e Etnografia

Coordenação: Amélia Frazão-Moreira e Paulo Mendes


A pesquisa do grupo centra-se nas questões ambientais através de uma abordagem aberta que reintegra a natureza e a sociedade como elementos ontológicos indivisíveis. De facto, a antropologia contemporânea propõe a (re)integração ecológica do social. Os interesses de pesquisa sobre as interconexões entre os humanos e os seus ambientes variam desde a compreensão de como caçadores-recolectores mapeiam os seus territórios, aos processos de adaptação às alterações climáticas, ou ao estudo dos movimentos ambientalistas. Sustentabilidade e etnografia são propostas como quadros políticos e metodológicos para salientar as interconexões entre local e global.

Os principais temas de pesquisa são:

  • Apropriações sociais e culturais dos ambientes biofísicos: Abordando as conceções da natureza e práticas sociais que envolvem os recursos naturais e a produção de conhecimento ecológico;
  • A fabricação ideológica da natureza e da biodiversidade: Analisando as produções científicas e políticas da biodiversidade e dos habitats naturais, avaliando os impactos sobre os grupos dependentes de ecossistemas locais;
  • Interações entre humanos e não-humanos: Estudando a partilha e uso simultâneo de recursos naturais pelos humanos e não-humanos, as suas interações comportamentais e cognitivas e o estatuto de conservação de diferentes espécies, com particular ênfase nos primatas;
  • Alterações climáticas, quotidiano e processos globais: Estudando as consequências factuais das alterações climáticas, e as perceções dos seres humanos quando lidam com elas e as gerem através de processos de adaptação e resiliência.

O grupo propõe realizar esta agenda essencialmente nos contextos europeu (principalmente Portugal) e africano.

A etnografia tem provado ser um método muito sólido para uma aproximação ao quotidiano, logo, para avaliações críticas sobre questões ambientais e de sustentabilidade. Considera-se também a perspetiva aplicada, informada por duas premissas: o conhecimento antropológico deve ser partilhado com o público não-académico para informar políticas ambientais, criando, em simultâneo, diálogos com outros domínios científicos. Assim, advoga-se a interdisciplinaridade em complementaridade ao método etnográfico, enquanto se reforçam as ligações entre a antropologia cultural e a antropologia biológica.

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