Curso de Verão: “A fundação Freudiana da psicanálise como teoria geral da ação humana”

Inscrições abertas

Datas: 9 a 13 de julho de 2018 | dias úteis das 11h00 às 13h00 e das 14h30 às 17h30
Docente Responsável: José Gabriel Pereira Bastos
Áreas: Línguas, Literaturas e Culturas

Objetivos:

Apresentar a teorização freudiana que, epistemologicamente, emerge como uma disciplina de tipo novo, transversal e integrativa, propondo uma teoria geral da ação humana criativa, existencialmente dramática e politicamente problemática – uma teoria da articulação da organização variável da mente com a organização variável do mundo.
A redução da psicanálise à biologia e à clínica, bem como ao psicologismo das funções mentais e dos processos de aprendizagem, foi sempre denunciada por Freud.
O freudo-marxismo, a antropologia psicanalítica, a análise dos processos identitários e das produções imaginárias, bem como a neuropsicanálise, enfrentaram escotomizações e interditos e trouxeram a teorização freudiana para o século XXI.

 

Programa

1) A QUESTÃO QUE ANTECEDE TODAS AS OUTRAS – a psicanálise investiga e teoriza fenómenos funcionais de reversibilidade, interacção, diversificação, criação de realidades psíquicas e culturais,  substituição, simbolização, disfarce, polissemia e interpretação, irredutíveis ao reducionismo à biologia, à consciência e à filosofia, constituindo-se como ponto de partida de pesquisas capazes de ultrapassarem o ignoramibus e o desejo de não-saber, alimentados pelo estilhaçamento disciplinar.

2) OS LABORATÓRIOS DA PSICANÁLISE – entre outros, hipnose, afasias, clínica, estratificação libidinal, sonhos, parapraxias, chistes, criação artística e literária, parentesco, mitos e rituais, comportamento grupal, processos identitários, instituições, ilusões, ideologias e mal-estar na civilização.

3) A DIMENSÃO SIMBÓLICA DA MENTE – fundada na associação neuronal generalizada, pluraliza as  linguagens, cria constelações psíquicas e simbolizações libidinais em grande parte inconscientes, subjetiviza transferencialmente a realidade material e social, constituindo-se como a condição de possibilidade da narratividade e da criatividade cultural, estruturando noosferas e mundos políticos.

4) AQUÉM DAS REPRESENTAÇÕES, ATUAM O PRAZER E O DESPRAZER NA RELAÇÃO DE OBJETO – da necessidade e do desamparo psíquico à clivagem da representação do objeto, à defesa psíquica, à comunicação manipulativa, às angústia da perda do objeto e de castração, à busca do prazer, da segurança, da realização egóica e da felicidade, subjazendo às clivagens bom-mau (fonte da moral), grupo atual-antepassado invisível (fonte da religião) e parte-todo (fonte da realização disfarçada de desejos recalcados).

5) A VIDA HUMANA ASSENTA NUM SISTEMA DE TRANSFORMAÇÕES – uma vez que a mente é processual e
ontogeneticamente estruturada, os estratos pré-genitais constituem o núcleo transcultural do inconsciente, da diversidade cultural, bem como dos processos imaginários, viabilizando as dinâmicas de regressão, de idealização e de projeção ideológica sobre as quais se ergue o processo civilizacional, dramático e problemático.

6) CORPOS DIFERENTES, TENSÕES ASSIMÉTRICAS – assimetrias identitárias de género, intergeracionais e inter-étnicas, constituem a fundação da guerra dos sexos, da dominação viril e de classe, dos rituais, da organização política patriarcal, da guerra apropriativa de recursos humanos e materiais, bem como do mal-estar na civilização, enquanto sintoma do fracasso da razão.

7) ENTRE A AÇÃO, A ILUSÃO E O DISFARCE, A NARRATIVA NARCÍSICA – “Eles amam seus delírios como se amam a si próprios. É esse o segredo”. Da repressão inter-geracional e de género à realização disfarçada de desejos recalcados e à projeção cultural e política. A descoberta tardia do terceiro tipo humano (o ‘homem narcísico’), abre caminho à investigação científica da sociopatia, aglomerando megalomania e divinização acrítica de livros, ideologias, líderes e organizações.

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