Barreiras socioculturais e estruturais ao teste do VIH/sida: das práticas de risco aos cuidados de saúde

Investigador responsável: Marta Maia
Grupo de investigação: Governação, Políticas e Quotidiano
Tipo de projeto: Projeto nacional
Estado: Concluído
Palavras-chave:


Instituição principal: CRIA
Instituições participantes: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Financiamento: VIH Portugal
Referência: n.a.
Data de início: 01-03-09

Mais informação:

Resumo

A epidemia de VIH/sida existe há quase três décadas mas só agora se começa a ter um conhecimento razoável dos dados epidemiológicos em Portugal. Este conhecimento é fundamental para implementar acções de luta contra esta doença, a nível de prevenção, despiste e cuidados de saúde. A notificação sistemática dos casos de infecção por VIH, iniciada em 2003, foi um dos instrumentos que ajudou a um melhor conhecimento da realidade epidemiológica em Portugal. Em 2005, a infecção por VIH foi incluída na lista das patologias de notificação obrigatória, sendo esta efectuada pelo médico assistente, com base no diagnóstico clínico e laboratorial. Ao descrever o número e as características das pessoas diagnosticadas e ao analisar factores epidemiológicos e comportamentais que influenciam o padrão epidemiológico, a notificação cumpre uma função fundamental para o sistema de vigilância da epidemia e tem, por conseguinte, um papel importante na definição dos programas de prevenção. Em 2006, foram notificados 2.162 novos casos de infecção por VIH, o que coloca Portugal entre os países europeus mais atingidos. Segundo estimativas da ONUSIDA existem em Portugal cerca de 32.000 pessoas infectadas na faixa etária dos 15 aos 49 anos; assumindo-se um número de casos não diagnosticados de 30%, de acordo com a média da União Europeia. As pessoas mais vulneráveis são os UDI (utilizadores de drogas injectáveis) e os reclusos, para os quais a prevalência é superior a 5%, seguidos dos HSH (homens que têm relações sexuais com homens). Contudo, são os números da transmissão sexual que estão a crescer, enquanto têm diminuído para os UDI: desde 1999, as transmissões por via sexual, tanto hetero como homossexual, duplicaram. Também os casos de SIDA apresentam números relativamente elevados. Foram notificados 261 casos em 2007. No entanto, informação relativa à mortalidade a encontra-se muito incompleta pelo facto de, geralmente, o óbito não ser notificado como caso de SIDA. O VIH/sida convoca ao debate múltiplas questões, tais como a sexualidade, as representações da doença, os comportamentos de risco, as atitudes discriminatórias, as desigualdades sociais e de género, as respostas sociais e políticas à epidemia, as emoções, os sentimentos, as relações, etc. A complexidade desta epidemia e suas implicações exige uma abordagem teórica que não se satisfaça de uma única perspetiva mas que invoque os vários saberes e perspetivas das ciências sociais. Esta pesquisa tem como suporte principal os dados recolhidos ao longo de um ano de trabalho de campo levado a cabo nos CADs de Aveiro e Bragança. Aborda uma questão lacunar no domínio do VIH/sida, a do teste, particularmente as barreiras estruturais, socioculturais e psicológicas à sua prática. Procura-se caracterizar os CADs; interpretar as representações e os comportamentos em relação à infeção por VIH/sida; analisar o acesso e o recurso ao teste; detetar fatores institucionais e socioculturais motivadores da sua prática; avaliar o peso do estigma na prática do teste. Desenvolvemos uma investigação qualitativa com base em vinte entrevistas semi-directivas a homens e mulheres adultos que fizeram o teste nos CADs (Centros de Aconselhamento e Detecção do VIH) de Aveiro e Bragança. Para a nossa análise utilizámos ainda os dados sociodemográficos dos utentes dos CADs. Um estudo qualitativo permite um melhor conhecimento da realidade estudada, dos significados e dinâmicas que orientam as práticas dos indivíduos quanto à realização do teste de diagnóstico do VIH. Este projeto permite: 1) compreender a forma como os indivíduos categorizam os comportamentos de risco e os comportamentos seguros, e as lógicas subjacentes a essas categorias; 2) apreender as formas de gestão e prevenção da infeção pelo VIH, que podem ou não ser consentâneas com os discursos das campanhas de prevenção; 3) perceber os significados e dinâmicas que orientam as práticas dos indivíduos quanto à realização do diagnóstico do VIH e o modo como o CAD medeia o teste.

Investigadores do CRIA

IDNomeFunçãoProjTítuloTipo de projetoEstado
pub134*Marta MaiaInvestigador Responsávelproj15*Barreiras socioculturais e estruturais ao teste do VIH/sida: das práticas de risco aos cuidados de saúdeProjeto nacionalConcluído
pub349*Octávio SacramentoInvestigadorproj15*Barreiras socioculturais e estruturais ao teste do VIH/sida: das práticas de risco aos cuidados de saúdeProjeto nacionalConcluído
Outros investigadores

InvestigadorFunçãoInstituiçãoProjOutrosTitulo_PT
Fernando Bessa RibeiroInvestigadorproj15*Barreiras socioculturais e estruturais ao teste do VIH/sida: das práticas de risco aos cuidados de saúde
Khalid FekhariInvestigadorproj15*Barreiras socioculturais e estruturais ao teste do VIH/sida: das práticas de risco aos cuidados de saúde