Apresentação

O Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) é uma unidade interuniversitária que existe desde 2007 como unidade de I&D da FCT e foi classificada com Muito Bom nas avaliações internacionais de Unidades de I&D de 2007 e 2013.

A antropologia é um instrumento indispensável à compreensão crítica das dinâmicas sociais e culturais da contemporaneidade que permite a articulação de aproximações centradas no indivíduo e na comunidade com formulações mais vastas da biologia, filosofia, história ou sociologia. As suas ferramentas teóricas e metodológicas contribuem para transformar a separação entre a ciência e o mundo social num entrosamento profundo, e repensar criticamente a complexidade da vida social e cultural, seus fluxos e mediações constantes, ditados pelo trânsito de pessoas, conceitos, bens, estruturas económicas e políticas, e suas metamorfoses criativas. A antropologia é hoje fundamental à reconfiguração dos métodos para uma investigação multissituada e multidisciplinar que questiona as fronteiras entre o local e o global, o centro e a periferia, o indivíduo e a cultura. O CRIA reflete este posicionamento.

O CRIA organiza-se em polos sediados em quatro instituições universitárias (NOVA FCSH, ISCTE-IUL, U. Coimbra e UMinho). Este funcionamento articulado em rede permite que cada polo desenvolva de forma autónoma as suas atividades e todos partilhem recursos indispensáveis à gestão, captação de fundos e divulgação das atividades de pesquisa, ensino e transferência de conhecimento, estimulando ainda a mobilidade dos investigadores do CRIA entre as diferentes instituições.

A investigação desenvolvida no CRIA organiza-se em torno de grupos de investigação que compõem o núcleo científico do centro e reúnem investigadores dos diferentes polos institucionais. Estes grupos formaram-se a partir de quatro campos específicos de pesquisa da equipa do CRIA: (1) Circulação e Produção de Lugares, (2) Desafios Ambientais, Sustentabilidade e Etnografia, (3) Governação, Políticas e Quotidiano, e (4) Práticas e Políticas da Cultura. Complementarmente, as linhas temáticas e os núcleos de trabalho agregam investigadores dos vários grupos de investigação em torno de temas e contextos específicos de pesquisa como são a (1) Antropologia da Saúde, (2) a Antropologia Visual e da Arte, (3) os Estudos em Contextos Árabes e Islâmicos, (4) a Antropologia da Religião, e (5) os Recursos Informais, Estado e Capital Social.

O CRIA tem promovido uma rede transnacional de investigação em antropologia que maximiza recursos e capacidades antes dispersos e se traduz numa maior profundidade científica aos níveis teórico, metodológico e temático. Contribui para a sua consolidação o envolvimento do CRIA, como instituição parceira ou de acolhimento, em diversos projetos e programas de investigação teórica e aplicada, financiados nacional e internacionalmente por entidades como a FCT, o QREN, o 7.º Programa-Quadro (Hera, Grundtvig, ERC, ESF, as ações COST), ou do sector privado e da sociedade civil.

Em articulação com as atividades de investigação, o CRIA incentiva ainda a organização de encontros científicos e actividades diversas fora da academia que favorecem o debate e a difusão da pesquisa, e a edição de publicações que promovem a divulgação dos resultados de pesquisas em antropologia. Merece destaque a sua revista Etnográfica, que é a principal publicação periódica em antropologia em Portugal e está indexada em bases de dados internacionais significativas (e.g. Web of Knowledge, Scopus, AIO, EBSCO, Latindex, Capes Qualis, ERIH Plus).

Constituído por quatro universidades, o CRIA tem ainda como missão o estreitamento das relações entre investigação e formação, organizando cursos e atividades relacionadas com o ensino, para além de acolher estudantes de diferentes ciclos do ensino superior, contribuindo para a sua integração na comunidade científica.

Formalmente constituído como associação de investigação e desenvolvimento, de acordo com a revisão dos seus estatutos realizada em 2014, o CRIA tem como órgãos sociais a Direção, o Conselho Científico, a Assembleia Geral e o Conselho Fiscal.