A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais

Investigador responsável: Clara Saraiva
Grupo de investigação: Circulação e Produção de Lugares
Tipo de projeto: Projeto nacional
Estado: Concluído
Palavras-chave: Morte | Gestão da morte | Rituais funerários | Imigração | Transnacionalismo


Instituição principal: IICT/MNE
Instituições participantes: CRIA (FCSH-UNL)
Financiamento: FCT
Referência: PTDC/CS-ANT/102862/2008
Data de início: 01-04-10

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Resumo

Apesar do interesse suscitado pela recente condição de Portugal enquanto país de imigração e de toda a investigação realizada nesse âmbito, têm sido negligenciadas algumas questões importantes relacionadas com os estados de sofrimento e morte – “estados de aflição” – dos imigrantes. A morte, em particular, é um tema difícil mas crucial que não tem sido tocado nos estudos sobre imigração. Como é que os imigrantes percepcionam a morte e a incorporam na conceptualização da diáspora? Como é que os diferentes grupos de imigrantes conceptualizam o sofrimento e a morte nos outros grupos? Como é que os portugueses olham para a morte dos imigrantes, um assunto pouco discutido mas que gera preconceitos e mistificações variadas? Numa sociedade ocidental em que a morte se tornou um tabu, e que é pensada como algo que só acontece aos outros, este distanciamento face ao último rito de passagem da vida pertence à esfera do mito e do preconceito – a invisibilidade da morte. No entanto, para os próprios imigrantes, é uma realidade com que têm de lidar e que frequentemente determina o tão ambicionado regresso temporário a casa. A morte é aqui vista não apenas como um momento no tempo, mas como um processo, que envolve estados emocionais específicos e que desencadeia o uso de rituais para lidar com a inevitável angústia que tende a adquirir aspectos ainda mais complicados quando se está longe de casa. Propomos estudar os níveis múltiplos que a morte toca, desde os mais simbólicos aos mais práticos. A morte é uma dimensão onde a abordagem transnacional é obrigatória – juntamente com o debate crítico sobre o sentido do “transnacional” e as suas características multifacetadas– já que encerra uma intensa circulação, não apenas de bens materiais e riqueza, mas também de universos significativos e simbólicos que circulam juntamente com os bens e as pessoas: o corpo, mas também os espíritos e as relações com o outro mundo que as pessoas trouxeram para a diáspora. Presos numa condição liminar, parte dos dois mundos – o de origem, e o território novo a que se tentam adaptar -, muitas vezes nostálgicos e desejosos por uma justificação para voltar a casa, é muitas vezes a morte que desencadeia o movimento: ou a morte de alguém deste lado, que obriga a que o corpo seja enviado de volta, ou a morte de um ente querido no local de origem. Tal circulação representa um luxo que se torna real através de movimentos de solidariedade baseados em associação de imigrantes ou em formas de solidariedade intra-grupal. Usando o conhecimento do campo da migração em Portugal dado pelo grupo “Imigração e Saúde” (do qual o IP é co-coordenador) e o know-how dos investigadores que têm todos eles trabalhado sobre morte e/ou imigração, este projecto pretende desconstruir noções preconceituosas acerca do que acontece aos mortos imigrantes e olhar a “gestão da morte”, incluindo representações simbólicas bem como aspectos práticos, tais como os processos legais para repatriamento dos corpos. Pretende ser um estudo exploratório sobre um tema crucial mas até agora não tocado; conscientes de que não podemos lidar com o universo total da imigração em Portugal, podemos começar, e talvez alargar o âmbito do estudo, num outro projecto futuro. Esta pesquisa será dirigida a vários grupos imigrantes – da Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Brasil, Ucrânia, Bangladesh e China -, enfatizando a heterogeneidade da emigração portuguesa. Estes grupos foram escolhidos por duas razões: são bons exemplos desta heterogeneidade, representando os principais grupos de imigrantes; e os investigadores têm todos eles o know-how para conseguirem bons resultados, já que todos têm trabalhado com estes grupos nos seus países de origem ou em Portugal. Só pela confrontação e comparação entre as várias formas de conceptualizar a morte podemos começar a compreender as constantes e as disparidades que caracterizam tais grupos e trazer inovação para o debate sobre a condição dos imigrantes enquanto populações vulneráveis. Os portugueses, como sujeitos em interacção no país de acolhimento, serão igualmente inquiridos, de modo a identificar os modos como o sofrimento e a morte do “outro” imigrante são conceptualizados. Os resultados deste projecto terão implicações para a sociedade civil, fornecendo conhecimento e inquirindo sobre o racismo dos portugueses. A ênfase será posta na recolha de material etnográfico, inexistente sobre este tema, através da observação participante e das técnicas das entrevistas em profundidade e das histórias de vida. Vários estudos de caso serão seguidos e analisados, como exemplos do que acontece na realidade com os imigrantes. Trabalharemos com associações de imigrantes e com outras instituições envolvidas no processo—hospitais, agências funerárias, autoridades diplomáticas e de fronteira e instituições religiosas. A análise etnográfica será complementada com um inquérito exploratório de pequena escala e um estudo dos media.

Investigadores do CRIA

IDNomeFunçãoProjTítuloTipo de projetoEstado
pub109*Clara SaraivaInvestigador Responsávelproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionaisProjeto nacionalConcluído
pub136*Marta Vilar RosalesInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionaisProjeto nacionalConcluído
pub89*José MaprilInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionaisProjeto nacionalConcluído
Outros investigadores

InvestigadorFunçãoInstituiçãoProjOutrosTitulo_PT
Sónia DiasInvestigadorIHMTproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Nora des JohanssonInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Simone FrangellaInvestigadorICS-ULproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Beatriz PadillaInvestigadorCIES-IULproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Philip HavikInvestigadorNOVA FCSHproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Andreia SilvaInvestigadorESS-IPPproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Violeta AlarcãoInvestigadorFM-ULproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Filipe Leão MirandaInvestigadorFM-ULproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Mário CarreiraInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Luís BatalhaInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Rosa MeloInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Maria Celeste QuintinoInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Sónia DiasInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Irene RodriguesInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Marta GodinhoInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Andreia CostaInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
António MendonçaInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais
Camila RodriguesInvestigadorproj5*A invisibilidade da morte em populações imigrantes em Portugal: vulnerabilidades e gestões transnacionais