Faixa publicitária

Coordenação/Coordinator: 

Clara Saraiva Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

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Embora as manifestações da mercantilização da cultura não sejam fáceis de resumir, elas tornam-se mais óbvias em contextos onde a ação cultural, a visibilidade e visitabilidade tem sido posta em prática (exibições culturais promovidas pelo turismo, património ou patrimonialização).

Estas exibições pressupõem um investimento acrescido em encenação cultural, o que inclui o comissionamento de coleções, a classificação de fragmentos de cultura material e imaterial e a sua tradução e representação através do cinema e da fotografia, mostras em exposições, performances e paradas, referências à sua antiguidade e natureza "local" e, frequentemente, incluem também a sua mercadorização e publicitação como forma de atrair visitantes e turistas, leitores ou espetadores, fazendo com que o público se sinta culturalmente informado, logo, culto em si mesmo.

A globalização destes procedimentos não deve ocultar a sua diversidade ou a sua relação com outras concomitantes ou históricas produções de identidades políticas ou sociais que utilizam a cultura como uma linguagem (ou, pelo contrário, a recusam explicitamente). Isto exige um equilíbrio entre visões comparativas (aos níveis local, nacional e internacional, entre zonas fronteiriças e de contato) e uma análise histórica (colonial e pós-colonial) que remete para as artes, arquivos e outras materializações do tempo e da memória de modo a sustentar uma análise mais vasta e compreensiva dos processos de visibilidade cultural.

Esta linha de investigação pretende acumular informação sobre locais, histórias, performances, retóricas e outros procedimentos que capturem, divulguem, configurem – e sejam configurados – pela cultura de diversas maneiras. Embora o tema geral da cultura reificada una todos os tópicos aqui incorporados, o que está subjacente a todos eles é a motivação de ir além dos discursos meramente culturalistas, de modo a compreender a cultura através dos seus usos e práticas, incorporada em contextos sociais, económicos e políticos específicos e noutros quadros de diferenciação identitária, nos quais é produzida e interpretada.

 

Although the manifestations of the commoditization of culture are difficult to summarize they are most obvious in situations where cultural, visibility and visitability have been enacted (cultural displays endorsed by tourism, heritage or patrimonialization).

Such displays pre-suppose an accrued investment in cultural staging which includes the convening of collections and classification of fragments of material and non-material culture through renderings of it in picture and photograph, displays of it through exhibitions, performances and parades, references to its past and 'local' nature and landscape and often commoditization of it and advertising as a way to attract visitors and sightseers, spectators or readers, making people feel culturally knowledgeable and thereby cultured themselves.

The globalization of these procedures should not conceal either their variety or their relation with other concomitant or historical productions of social or political identities using culture as idiom (or rather, explicitly refusing it). This calls for a balance between comparative insights (local, national and international levels, border and contact zones) and historical analysis (colonial and postcolonial) which address the arts, archive assembly and other materializations of time and memory in order to sustain a broader and comprehensive analysis of the processes of cultural visibilities.

This line of research intends to gather data on sites, histories, performances, rhetorics, images and other procedures which capture, divulge, configure – and are configured by - culture in different ways. While the common topic of reified culture unites all the topics to be incorporated here, underlying them all is the motivation to go beyond merely culturalistic discourses and to understand culture in its uses and practices, embedded in the specific social, economic and political contexts and other identity differentiation frameworks, within which it is produced and interpreted.